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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

"Não quero chá, quero mamá!"

 
Autores do relato:
 Fernanda Pelissari Comparin; Anelise Pelissari

Local da experiência: Município de Vacaria -Rio Grande do Sul
Local de implementação: Núcleo de Apoio a Saúde da Família - NASF 
Qual o público alvo? Gestantes e mulheres lactantes
Qual foi a experiência desenvolvida?
O NASF- Núcleo de Apoio a Saúde da Família da Secretaria Municipal da Saúde de Vacaria realiza a Gincana da Amamentação. A ESF Km 4 já foi bi-campeã deste evento e preparou para a apresentação final desta gincana a Paródia Não quero chá, quero mamá. A equipe se empenhou, ensaiou, conviveu enfim teve momentos de alegria e contentamento. A comunidade se envolveu emprestando os instrumentos musicais, cantando e tocando violão.
Como a experiência foi desenvolvida?
Com o objetivo de incentivar o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida, a SMS de Vacaria elaborou a Gincana da Amamentação entre as equipes de saúde da cidade. A primeira gincana ocorreu em 2012. Entre as tarefas estavam montar o "cantinho da amamentação" dentro da UBS/ESF, elaborar frases que apoiassem o aleitamento materno, grupo de gestantes, visita a maternidade e sala de parto do hospital como também realizar uma apresentação (paródia, poesia, teatro) sobre o tema. Com a intenção de vencer a I Gincana da Amamentação, a ESF Km 4 criou uma paródia com a música "TCHU TCHA TCHA" , que era o hit do momento!
Na Gincana de 2012 ficamos em 1º lugar. Na II Gincana ocorrida em agosto de 2013 também ficamos em 1° lugar, porém elaboramos um teatro incentivando a amamentação. Neste ano o laço dourado marcava o símbolo da semana, com o slogan "CRIE LAÇOS COM SEU BEBÊ". Na oportunidade a equipe foi premiada com materiais educativos sobre mamas. Mas em relação ao "TCHU TCHA TCHA" a experiência foi maravilhosa, equipe se mostrou unida, fizemos ensaios de dança praticamente todos os dias, conseguimos perucas emprestadas, fizemos maquiagem chamativo no rosto, utilizamos sutiãs grandes, bonecas e tivemos apoio de um morador do bairro com o violão!..foi muito divertido!!!!
A ideia inicial da paródia partiu de uma das agentes de saúde. Toda a equipe foi simpática à ideia e construímos a letra juntos, usando termos e personagens locais da área adscrita. Os ensaios eram realizados no corredor da UBS e os usuários acompanhavam alegres com a novidade. 
Paródia Amamentação – ESF km 4
Não Quero Chá, Quero Mama
Eu quero tchu,eu quero tcha
Eu quero tchu tcha tcha tchu tchu tcha
Tchu tcha tchu tchu tcha (2 vezes)

Cheguei no postinho, doidinho para mamar
A galera tá no clima, todo mundo quer ajudar,
A Rosalva me chamou, e disse “faz um tchu tcha tcha”,
o que é isso ,ela disse “vou te ensinar”.
É um ato natural, no Mauá já pegou,
Em Vacaria explodiu no Rio Grande já bombou,
Lá no quatro os bebê faz, essa moda vai pegar
Então faz o tchu tcha tcha, o Brasil inteiro vai mamar.
Com a galera do Mauá

Eu quero tchu , não quero chá
Eu quero mama,mama,mama,mama,má (2 vezes)
Cheguei no postinho, doidinho para
galera tá no clima, todo mundo quer ajudar,
A enfermeira me chamou, e disse vamos amamentar,
Perguntei o que é isso, ela disse “vou te ensinar”.
É um ato natural, no Mauá já pegou,
Em Vacaria explodiu no Rio Grande já bombou,
Lá no quatro os bebê faz, essa moda vai
faz o tchu tcha tcha, o Brasil inteiro vai mamar.
Com a galera do Mauá
Eu quero tchu , não quero chá 
Eu quero mama,mama,mama,mama,má (2 vezes)  
MAMOOU?!

Que desafios foram encontrados para o desenvolvimento da experiência?
Os desafios maiores foram vencer a vergonha de se expor não sendo artista e a dificuldade em arrumar o figurino e a maquiagem. No mais foi só alegria!!!
O que esta experiência trouxe de novo?
Diminuir a distância "velada" entre as usuárias e a equipe. Utilizar o lúdico, a brincadeira e a música para sensibilizar sobre as questões da amamentação.
Este relato também está disponível em https://novo.atencaobasica.org.br/relato/3539 

Essa experiência foi apresentada na IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família, evento realizado em 2014, cujo objetivo é valorizar as experiências cotidianas e estimular o protagonismo local dos milhares de trabalhadores, gestores e usuários da Atenção Básica do Brasil.

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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Conheça o Programa Nacional de Suplementação de Ferro

As necessidades de ferro durante os primeiros anos de vida e durante a gestação são muito elevadas, por isso recomenda-se a adoção de medidas complementares ao estímulo à alimentação saudável, com o intuito de oferecer ferro adicional de forma preventiva.
Assim, dentre as ações existentes, a prevenção de anemia por deficiência de ferro deve ser planejada com suplementação de ferro medicamentosa em doses profiláticas.
No Brasil, a suplementação profilática com sulfato ferroso é uma medida adotada desde 2005 com o Programa Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF).
O PNSF consiste na suplementação profilática de ferro para:
  • Crianças de seis a 24 meses de idade diariamente até completar 24 meses: 1 mg de ferro elementar/Kg
  • Gestantes diariamente até o final da gestação: 40 mg de ferro elementar + 400 mcg de ácido fólico**
  • Mulheres no pós-parto e pós aborto diariamente até o terceiro mês pós-parto/pós-aborto: 40 mg de ferro elementar.
Importante: A suplementação de ferro é recomendada para o cuidado para reduzir o risco de baixo peso ao nascer da criança, anemia e deficiência de ferro na gestante.
Curiosidades para o cuidado de crianças:
- Crianças em aleitamento materno exclusivo só devem receber suplementação a partir do sexto mês de idade. Se a criança não estiver em aleitamento materno exclusivo, a suplementação poderá ser realizada a partir dos quatro meses de idade, juntamente com a introdução dos alimentos complementares.
- As crianças e/ou gestantes que apresentarem doenças que cursam por acúmulo de ferro, como doença falciforme, talassemia e hemocromatose, devem ser acompanhadas individualmente para que seja avaliada a viabilidade do uso do suplemento de sulfato ferroso. Ressalta-se que a complementação de ferro oral a essas crianças deve ser considerada, por apresentarem igual chance de desenvolverem anemia por deficiência de ferro na fase de crescimento.
- A suplementação profilática com ferro pode ocasionar o surgimento de efeitos colaterais em função do uso prolongado. Os principais efeitos são: vômitos, diarreia e constipação intestinal. É fundamental a orientação das famílias quanto à importância da suplementação para que a adesão seja efetiva.
Curiosidades para o cuidado de mulheres:
- Todas as mulheres até o terceiro mês pós-parto devem ser suplementadas apenas com ferro, mesmo que por algum motivo estejam impossibilitadas de amamentar.
- O sulfato ferroso possui como limitante as intercorrências gastrointestinais, como vômitos, diarreia, constipação intestinal, fezes escuras e cólicas. Por isso, destaca-se a necessidade de orientação quanto aos possíveis efeitos e a necessidade de manter a suplementação até o final da gestação.
Obs.: A suplementação com ácido fólico deve ser iniciada pelo menos 30 dias antes da data que a mulher planeja engravidar e deve ser mantida durante toda a gestação para a prevenção de anemia.




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terça-feira, 26 de julho de 2016

Determinantes sociais e consequências da anemia

A anemia é definida como a condição em que a concentração de hemoglobina no sangue está abaixo dos limites mínimos, tendo como a principal causa a deficiência de ferro (anemia ferropriva), responsável por 50% do total de casos de anemia.
A anemia é considerada a carência nutricional de maior magnitude no mundo devido a sua elevada prevalência em todos os segmentos sociais. Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2 bilhões de pessoas, mais de 30% da população mundial, são anêmicas. 
Os grupos de risco mais vulneráveis para a ocorrência da anemia são as crianças menores de dois anos, gestantes e as mulheres em idade fértil. Isso é devido ao aumento das necessidades de ferro e acentuado crescimento dos tecidos nessas fases da vida.
No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (2006) mostram que a prevalência entre menores de cinco anos é de 20,9%, sendo de 24,1% em crianças menores de dois anos. 
Diversos estudos realizados no País apontam que a mediana da prevalência de anemia em crianças menores de cinco anos é de 50%, chegando a 52% naquelas que frequentavam escolas/creches e 60,2% nas que frequentavam Unidades Básicas de Saúde.
O ferro é um micronutrientes essencial para o organismo, atuando principalmente na síntese de células vermelhas do sangue e no transporte de oxigênio no organismo. O ferro está presente nos alimentos em duas formas:
Ferro heme (origem animal): carnes vermelhas, principalmente vísceras (fígado e miúdos), carnes de aves, suínos, peixes e mariscos.
Ferro não heme (origem vegetal): hortaliças folhosas verde-escuras e leguminosas, como feijão e lentilha.
Sabe-se que alguns fatores influenciam ou predispõem o indivíduo à anemia, sendo distribuídos em diferentes fases da vida.
1. Gestação:
  • Alimentação inadequada;
  • Não uso de suplemento de ferro profilático;
  • Complicações nutricionais;
  • Parasitoses.
2. Parto e nascimento:
  • Clampeamento precoce do cordão umbilical;
  • Ausência de aleitamento materno na primeira hora de vida
3. Primeiros seis meses de vida:
  • Ausência de alimentos materno exclusivo até o sexto mês;
  • Introdução precoce de alimentos e outros leites;
  • Parasitoses
4. A partir dos seis meses
  • Elevada necessidade de ferro;
  • Alimentação complementar inadequada;
  • Baixa ingestão de ferro heme;
  • Não uso de suplemento profilático;
  • Parasitoses
Já as principais consequências da anemia por deficiência de ferro são:
  • Comprometimento do sistema imune, com o aumento da predisposição a infecções; 
  • Aumento do risco de doenças e mortalidade perinatal para mães e recém-nascidos;
  • Aumento da mortalidade materna e infantil;
  • Diminuição da capacidade de aprendizagem em crianças escolares e menor produtividade em adultos;
  • Risco de parto prematuro- Retardo do desenvolvimento mental, motor e emocional

Pensando na relevância do problema, são estabelecidas ações de prevenção e controle da anemia por deficiência de ferro no âmbito do Sistema Único de Saúde:
  • O Programa Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF), que consiste na suplementação universal com suplementos de ferro em doses profiláticas;
  • A fortificação dos alimentos preparados para as crianças com micronutrientes em pó;
  • A fortificação obrigatória das farinhas de trigo e milho com ferro e ácido fólico; e
  • A promoção da alimentação adequada e saudável para aumento do consumo de alimentos fontes de ferro.





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