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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O SIGNIFICADO DA MUDANÇA NO MODO DE VIDA DA PESSOA COM ESTOMIA INTESTINAL DEFINITIVA

Ana Lúcia da Silva2
Helena Eri Shimizu3
Silva AL, Shimizu HE. O significado da mudança no modo de vida da pessoa com estomia intestinal definitiva. Rev Latino-am Enfermagem 2006 julho-agosto; 14(4):483-90.
O estudo teve como objetivo identificar e analisar as principais modificações que ocorrem no modo de vida do portador de estomia intestinal definitiva e as principais estratégias desenvolvidas para enfrentar a situação de ser estomizado. O método utilizado foi a história oral de vida tópica. As histórias foram obtidas de dez entrevistas semi-estruturadas com portadores de estomia intestinal definitiva. Utilizou-se a técnica de análise de conteúdo, especificamente, a temática. Da análise, emergiram cinco temas: a experiência de depararse com os sinais e sintomas da doença e necessidade de realização da estomia; o aprendizado de conviver com a estomia, o equipamento coletor e a busca de alternativas para suprir o uso do equipamento coletor; o enfrentamento das mudanças no modo de alimentar-se, vestir-se e vivenciar a sexualidade; a busca da reinserção social, o desafio de enfrentar a morte e a procura de perspectivas futuras; a busca da rede de apoio: crenças religiosas e espirituais, família e associação dos estomizados.
DESCRITORES: ostomia; cuidados de enfermagem; história
THE MEANING OF THE NEW WAY OF LIFE OF

INDIVIDUALS WITH PERMANENT INTESTINAL OSTOMY

The research aims to identify and analyze the main modifications that affect the way of life of an ostomate, and strategies developed to face the situation of having an ostomy. The method used was oral history of topic life. Ten semi-structured interviews were conducted with permanent ostomates. For data analysis, the method used was thematic content analysis. Five themes emerged from the analysis of the interviews: the experience of signs and symptoms and the need for an ostomy; learning to live with an ostomy, the pouching system, and the search for alternatives to replace the usage of the pouching system; facing the changes caused by an ostomy in terms of feeding, clothing and sex life; the search for social reintegration, the challenge of facing death, and the search for future perspectives; the search for a social support network: religious and spiritual beliefs, family and the ostomates association.
DESCRIPTORS: ostomy; nursing care; history
EL SIGNIFICADO DEL CAMBIO EN EL MODO DE VIVIR

DE LA PERSONA CON OSTOMÍA INTESTINAL DIFINITIVA

La finalidad del estudio fue identificar y analizar las principales modificaciones que ocurren en el modo de vivir del portador de ostomía intestinal definitiva así como las principales estrategias desarrolladas para enfrentar la situación de ser ostomizado. El método utilizado fue la historia oral de vida tópica conseguida a partir de diez entrevistas semiestructuradas con los portadores de ostomía intestinal definitiva. Se utilizó la técnica de análisis de contenido, específicamente la temática. Del análisis emergieron cinco temas: La experiencia de depararse con las señales y síntomas de la enfermedad y necesidad de realización de la ostomía; el aprendizaje de la convivencia con la ostomía, el equipo colector y la búsqueda de alternativas para suplemento del uso de equipo colector; el enfrentamiento de los cambios en el modo de alimentarse, vestirse y vivir la sexualidad; la búsqueda por la reinserción social, el desafío de enfrentar la muerte y la búsqueda de perspectivas futuras; el armado de una red de apoyo social: creencias religiosas y espirituales, la familia y la asociación de los ostomizados.
DESCRIPTORES: ostomía; atención de enfermería; historia


INTRODUÇÃO

As mais freqüentes causas da estomia definitiva são o câncer colorretal, a doença inflamatória intestinal, a polipose adenomatosa familiar, entre outras(1). As reações apresentadas pelos pacientes que adquirem estomia são muito variadas. Percebe-se que, não muito raro, o recémoperado prefere a morte à estomia. Só com o passar do tempo, é que a pessoa consegue um mínimo de aceitação. Nesse sentido, nota-se que a maioria dos pacientes, após a realização da estomia, vivencia os estágios emocionais de negação, ira, barganha, depressão e aceitação(2).
Além das dificuldades emocionais, a estomia gera uma série de alterações de ordem física que prejudica o convívio social, principalmente aquelas relacionadas à falta do ânus e à presença de um orifício no abdome por onde passa a eliminar as fezes. Como conseqüência, a pessoa, não raramente, sentese muito diferente das outras e até mesmo excluída. Isso ocorre porque todo ser humano constrói, ao longo de sua vida, uma imagem de seu próprio corpo, que se ajusta aos costumes, ao ambiente em que vive, enfim, que atende as suas necessidades para se sentir situado em seu próprio mundo(3). A imagem corporal está relacionada à juventude, beleza, vigor, integridade e saúde e aqueles que não correspondem a esse conceito de beleza corporal podem experimentar significativo senso de rejeição(4).
Sabe-se, ainda, que a maioria dos pacientes estomizados apresenta dificuldades relacionadas à sexualidade, devido às alterações na imagem corporal. Grande parte desses problemas tem sua origem na cirurgia realizada que pode causar algumas disfunções fisiológicas, a saber: no homem, a redução ou perda da libido, diminuição ou ausência da capacidade de ereção, alteração da ejaculação e, na mulher, a redução ou perda da libido, dores durante o ato sexual, entre outras(5).
Alguns estudos mostram que boa parte das dificuldades sexuais também tem origem psicológica, sobretudo devido à vergonha frente ao parceiro, sensação de estar sujo e repugnante, gerando medo de ser rejeitado pelo parceiro/a(6).
Geralmente, as pessoas estomizadas têm grandes dificuldades na volta ao trabalho, pois se sentem inseguras para continuar cuidando da estomia e ainda trabalhar. Assim, alguns acabam pedindo aposentadoria por invalidez.
A ausência de atividade laborativa pode leválas à ociosidade e ao isolamento social. Certamente, essas condições contribuem para prejudicar ainda mais a qualidade de vida do estomizado.
Cuidar desses pacientes não é tarefa fácil para os profissionais, pois é necessário prepará-los para o convívio com a estomia por toda vida. Durante a formação acadêmica são enfocados, prioritariamente, os cuidados físicos. Não se recebe preparo suficiente para lidar com as alterações no modo de vida por eles apresentados.
A assistência ao paciente estomizado exige dos profissionais reflexão sobre os aspectos da reabilitação. Isso significa verdadeiro desafio, pois é imprescindível o conhecimento das necessidades dos pacientes que são diversas e se modificam constantemente(7).
No dia-a-dia o que se observa, nos serviços de atendimento especializados aos estomizados, é um distanciamento do ser profissional com o ser doente, ignorando-se por completo qualquer possibilidade de compreensão da unidade, totalidade e estrutura do estomizado naquele momento(8).
É preciso dar mais atenção à pessoa portadora de estomia, buscando, no seu universo, conhecer e compreendê-la na sua temporalidade, mediante a interpretação dos sentimentos expressos por ela,.. 


o artigo completo continua emmmm ....


[1] Trabalho extraído da Dissertação de Mestrado; 2 Mestre, Enfermeira Estomaterapeuta, e-mail analucia@unb.br; 3 Doutor em Enfermagem, Professor Adjunto. Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília
Disponible en castellano en SciELO Brasil www.scielo.br/rlae

terça-feira, 18 de agosto de 2015

PERFIL DE PARTICIPANTES DO GRUPO DE OSTOMIZADOS DA POLICLÍNICA MUNICIPAL DE CAMPINAS, SÃO JOSÉ, SC

PERFIL DE PARTICIPANTES DO GRUPO DE OSTOMIZADOS DA POLICLÍNICA MUNICIPAL DE CAMPINAS, SÃO JOSÉ, SC


Michelle da Gama Cunha de Souza [1]
Tuani Erina Martins Varella [2]
Daniele da Silva Hermes [3]

RESUMO


Introdução: Uma ostomia é um procedimento cirúrgico que consiste na extração de uma porção do tubo digestivo. Os pacientes ostomizados, na tentativa de solucionar o seu problema de controle intestinal, muitas vezes acabam realizando alternativas impróprias, podendo ocasionar outros problemas graves, como exemplo a desnutrição. As práticas alimentares podem provocar repercussões bastante significativas, podendo influenciar de forma positiva ou negativa no processo de adaptação à sua nova condição de vida. Objetivo: O objetivo do estudo foi identificar o perfil de pacientes ostomizados da Policlínica Municipal de Campinas, São José, SC. Método: Foi realizada uma coleta de dados, através da aplicação de um questionário contendo 17 questões de múltiplas escolhas, com 16 pacientes ostomizados. O questionário foi elaborado especialmente para o estudo, composto por questões objetivas. Os dados foram analisados no programa Excel® 2007. Resultados e discussão: Observou-se idade média de 53 ± 17 anos, sendo que 62% da amostra era do sexo feminino. A ileostomia constituiu-se na grande maioria das intervenções cirúrgicas (50% dos casos), 69% dos pacientes eram portadores de estomas permanentes, verificou-se que 56% dos pacientes não receberam orientações nutricionais após a cirurgia, entretanto 87% dos pacientes reconheceram a importância de um acompanhamento nutricional. Conclusão: Nota-se o quanto é válido e importante a continuidade nas pesquisas que promovam melhora na qualidade de vida desses pacientes. Os resultados sugerem a necessidade de realizar orientação nutricional, com o objetivo de auxiliar os pacientes em relação à mudança nos hábitos alimentares.

Palavras - chaves: Ostomizados, Práticas Alimentares, Ileostomia, Hábitos Alimentares.  

INTRODUÇÃO


Os vocábulos ostomia, ostoma, estoma ou estomia possuem origem grega, a partir do termo “ostomia”, e exprimem o significado de boca ou abertura, indicando a exteriorização de qualquer víscera oca do corpo (GEMELLI, 2002).
Uma ostomia é um procedimento cirúrgico que consiste na extração de uma porção do tubo digestivo, neste caso do intestino, e na abertura de um orifício externo, que se designa por estoma. A finalidade deste é o desvio do trânsito intestinal para o exterior (SILVA, et al., 2008).
Em relação aos estomas intestinais, as causas que condicionam à necessidade de realização do mesmo são diversas e incluem as neoplasias, distúrbios congênitos, traumas, doenças inflamatórias intestinais, entre outras. As mais frequentes causas da estomia definitiva são o câncer colorretal, a doença inflamatória intestinal e a polipose adenomatosa familiar (GAMA, 2005; SILVA, 2006).
O câncer colorretal abrange tumores que atingem o cólon (intestino grosso) e o reto. Tanto homens como mulheres são igualmente afetados, sendo uma doença tratável e frequentemente curável quando localizada no intestino (sem extensão para outros órgãos) (ATTOLINI; GALLO, 2010).
A doença inflamatória intestinal é uma denominação genérica que engloba várias entidades patológicas, sendo as mais comuns: retocolite ulcerativa inespecífica e doença de Crohn, que acometem o trato gastrointestinal e são comumente associadas à desnutrição protéico-energética (BURGOS et al., 2008). 
A polipose adenomatosa familiar é uma doença autossômica dominante caracterizada pelo desenvolvimento de numerosos pólipos adenomatosos e um grande risco para o surgimento de tumores coloretais (CAVALHEIRO et al., 2002). 
 Uma ostomia pode ser um sério limitador da qualidade de vida. Os pacientes ostomizados enfrentam dificuldades, tanto físicas quanto psicológicas. Há questões psicossociais envolvidas na dinâmica desses pacientes, como a perda da integridade corporal, a violação involuntária das regras de higiene e a perda da função reguladora do esfíncter anal. A condição de ostomizado implica em mudanças no estilo de vida, daí a importância do processo de implementação do controle de suas funções intestinais, visando restituir-lhe as atividades de convívio social e melhorar sua qualidade de vida (BECHARA et al., 2005).  
Os pacientes ostomizados na tentativa de solucionar o seu problema, o controle intestinal, muitas vezes acabam realizando alternativas impróprias, como jejum prolongado, exclusão de alimentos e diminuição no volume das refeições, podendo ocasionar outros problemas graves, como exemplo a desnutrição (BECHARA et al., 2005). 
As manifestações psicossomáticas de não aceitação dos alimentos são numerosas, podendo causar erros alimentares e simbolismos. A prática de seleção dos alimentos, baseada nas crenças populares, pode desencadear um desequilíbrio nutricional tendo como consequência o não funcionamento normal do corpo humano (BEYER, 2010). 
As práticas alimentares podem provocar repercussões bastante significativas, podendo influenciar de forma positiva ou negativa no processo de adaptação à sua nova condição de vida. O controle das funções intestinais pode contribuir para melhora da qualidade de vida do ostomizado que passa a
adquirir certos hábitos para sanar ou amenizar os problemas desagradáveis decorrentes de sua nova condição, como diarréia, constipação, odor e flatulência. No entanto, podem causar benefícios e malefícios à saúde das pessoas, de acordo com o tipo, ocasião e frequência em que são utilizados os alimentos (SILVA, et al., 2008). 
De acordo com o exposto, o objetivo do estudo foi identificar o perfil de pacientes ostomizados da Policlínica Municipal de Campinas, São José, SC, os hábitos alimentares adotados após a cirurgia, investigar a influência desses hábitos na vida do paciente, podendo oferecer uma contribuição para futuros estudos e consequentemente melhoria nas condições de vida dos indivíduos ostomizados.

MÉTODO


O estudo contou com 16 participantes de ambos os sexos, vinculados ao núcleo de ostomizados da Policlínica Municipal de Campinas, São José, SC e foi realizado em setembro de 2011, durante a reunião promovida pelo Núcleo de Ostomizados. Foram considerados critérios de inclusão: ser portador de estoma intestinal (ileostomia ou colostomia), ter idade igual ou superior a 18 anos, possuir capacidade de compreensão e verbalização adequadas para responder o questionário e aceitar participar do estudo, sob assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. 
A coleta de dados foi realizada através da aplicação de um questionário contendo 17 questões objetivas, podendo o entrevistado escolher mais de uma alternativa como resposta. O grupo recebeu orientações antes da entrega do questionário, para garantir que não fossem influenciados em suas respostas.  
O questionário foi elaborado especialmente para o estudo, composto por questões objetivas, conforme apêndice A. As questões focalizaram no tempo de uso da bolsa, tipo de estoma, causa do estoma, se é reversível ou permanente, se recebeu orientação nutricional, dificuldades com a utilização da bolsa, dificuldade na alimentação após a cirurgia, mudanças no hábito alimentar após realização do estoma, como é realizado o controle das funções intestinais e se acham importante o acompanhamento nutricional após a cirurgia.
Os dados coletados foram tabulados em planilha Excel® 2007 e analisados através de gráficos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO


O questionário foi aplicado a 16 integrantes do núcleo de ostomizados da Policlínica Municipal de Campinas, São José, sendo 62% do sexo feminino, O predomínio do sexo feminino não coincide com achados de Luz e colaboradores (2009), que avaliaram pacientes submetidos a estomas intestinais em um hospital público de Teresina-PI.
A idade variou de 30 a 78 anos, com média de 53 ± 17 anos. Em relação ao estado civil 75% (n=12) eram casados, 12,5% (n=2) solteiros, 6,25% (n=1) viúvos e 6,25% (n=1) divorciados. A análise desse dado faz-se importante porque a situação conjugal do ostomizado e sua vida sexual está diretamente relacionada aos problemas resultantes da ostomia, segundo Luz et al. (2009).
 Em relação à localização do estoma, 50% (n=8) dos participantes apresentava ileostomia, 44% (n=7) colostomia e 6% (n=1) não souberam informar o local da intervenção cirúrgica.