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quarta-feira, 11 de maio de 2016

Hidratação da pele

 A pele atua como uma barreira de proteção contra ataques físicos, químicos e de micro-organismos. Ainda tem como objetivo evitar a perda de água e manter a homeostase do organismo e manter toda aparência estética.

Algumas de suas funções são: proteção contra agressões externas, absorção e secreção de líquidos, manutenção da temperatura, metabolismo da vitamina D, proteção e absorção da radiação, além do papel sensorial. O pH da pele é levemente ácido em torno de 4,6 a 5,8 devido a produção do ácido lático. Além de todas as suas funções, a pele ainda possui permeabilidade seletiva.

Camadas da Pele

Para falar de hidratação é necessário um conhecimento prévio sobre as camadas que compõem a pele, são elas: epiderme, derme e hipoderme ( tecido ou tela subcutânea).

Epiderme: A epiderme é formada por vários estratos de células epiteliais e outras células: estrato basal responsável pela produção dos queratinócitos; estrato espinhoso que contém células com grânulos de lipídeos e enzimas; estrato granuloso presença de grânulos de querato-hialina; estrato lúcido presente nas áreas mais espessas da pele como mãos e pés e o estrato córneo contendo células em processo de descamação, alto teor de lipídeos intercelulares produzidos e secretados pelos queratinócitos. É no estrato córneo que temos o chamado NMF( fator de hidratação natural - Factor Natural Moisturizing-/higroscópio), responsável pela hidratação, elasticidade e flexibilidade da pele, um composto produzido pelo próprio organismo para reter água na pele.

O NMF é composto por substâncias higroscópicas, são elas: aminoácidos, ácido carboxílico pirrolidona, lactato de amônia, uréia, ácido lático, cloretos, sódio, potássio, fosfato, citratos, glucosamina, entre outras substâncias.

Faz parte da epiderme também, o manto hidrolipídico que são as secreções das glândulas sebáceas e sudoríparas. É uma barreira que mantém a integridade, proteção e hidratação da pele.

Derme: A derme é a camada intermediária, formada por tecido conjuntivo, inervada e vascularizada. Possui função de sustentação, defesa imunológica e termorregulação.

Divide-se em derme papilar e reticular. A derme papilar é formada por uma fina rede de fibras elásticas que proporcionam elasticidade à pele e é a ligação entre derme e epiderme por conta dessas fibras elásticas. A derme reticular também formada por fibras elásticas possui colágeno.  As fibras colágenas são grossas e proporcionam a sustentação da pele. Possui ainda a matriz extracelular: um gel aquoso que envolve as fibras e é composto por água e eletrólitos que conferem nutrição. O ácido hialurônico e as glicosaminoglicanos também fazem parte da derme e garantem juntos a manutenção das estruturas dérmicas e a hidratação da pele.

Hipoderme: Camada formada por células adiposas. Sua função é de proteção mecânica e reguladora de temperatura, produção de hormônios e reserva energética.

Recuperação da hidratação
Quando se fala em hidratação da pele é fundamental saber que a manutenção ou recuperação da hidratação não depende somente do teor de água consumido, mas também de nutrientes e lipídeos que formam essa camada protetora, uma vez que muitos nutrientes compõe a pele como um todo. Portanto, a deficiência nutricional gera diretamente problemas inestéticos na pele, evidenciando a relação básica entre alimento, suplemento e pele saudável.

 O consumo deficiente de vitaminas e ácidos graxos essenciais pode resultar em desidratação, que gera como consequência linhas e a desvitalização do tecido cutâneo. Substâncias higroscópicas e que melhorem a capacidade da membrana fosfolipídica garantem retenção de água no estrato córneo e pele mais jovem, pode-se citar os ácidos graxos essenciais ômega 3, 6 e 9, óleo de prímula, manter o teor de zinco em bons níveis, colágeno hidrolisado. A suplementação de colágeno tem sido uma grande tendência devido à publicações científicas recentes, e também é muito bem indicada para hidratação da pele.

 Vale ressaltar a vitamina A, por estimular a produção de queratinócitos, os quais são responsáveis pela formação da epiderme, por modular a expressão de genes-como: gene da queratina, colágeno e colagenase (manutenção citoesqueleto) e gene do fator de crescimento da epiderme;
Todos nutrientes em equilíbrio garantem a hidratação da epiderme, recuperação do manto hidrolipídico; restauração da membrana fosfolipídica; repõe ceramidas; impede perda de água transepidermica. É importante lembrar que não basta ingerir nutrientes, é necessário serem biodisponíveis, ou seja, garantir absorção intestinal e escolher suplementos de qualidade e que sejam realmente necessários de acordo com a individualidade bioquímica.



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domingo, 20 de março de 2016

Probióticos poderiam reduzir o risco de diabetes tipo 1 em crianças

O efeito é perceptível em crianças com maior risco de desenvolver diabetes.

Um estudo identificou que as crianças que recebem probióticos (bactérias boas) durante os primeiros 27 dias de vida podem reduzir o risco de padecer de diabetes tipo 1,principalmente aquelas que geneticamente têm predisposição a desenvolver a doença. O estudo também aponta que expor os menores à probióticos em uma idade mais tardia não oferece o mesmo benefício.
Os pesquisadores indicaram que ao proporcionar probióticos às crianças durante os primeiros dias de vida conseguiu-se reduzir em 60% as probabilidades de padecer de diabetes tipo 1 entre as crianças com maior risco de sofrer da doença. Identificou-se que as criançasportadoras do genótipo DR3/4 têm maior probabilidade de desenvolver a doença.
Os estudos realizados mostram que aquelas crianças que não têm esta genética específica não se beneficiaram do uso de probióticos em sua alimentação.
Ulla Uusitalo, Professora Associada do Departamento de Epidemiologia Pediátrica da Universidade do Sul da Florida, em Tampa, indicou que devido ao projeto do estudo não se pôde estabelecer uma conclusão que indique casualidade, mas se obteve uma associação muito clara, e por esta razão necessitam-se mais estudos.
diabetes tipo 1 é uma enfermidade auto-imune que se manifesta quando o corpo destrói por engano às células que produzem insulina no pâncreas. A insulina é um hormônio que ajuda a utilizar o açúcar dos alimentos como combustível para o corpo.
Ainda não se conhecem as causas da diabetes tipo 1 com clareza. Analisaram-se distintos genes suspeitos, mas um desencadeante ambiental não é descartado. Os pesquisadores indicaram que um desequilíbrio nas bactérias intestinais poderia ajudar a desencadear a resposta auto-imune.
Os probióticos são bactérias vivas que se acredita que podem ajudar a manter um sistema digestivo saudável. Na Europa, o uso de probióticos é mais comum que nos Estados Unidos. Durante o estudo, os bebês receberam probióticos com a fórmula infantil ou com o uso de um complemento líquido na dieta.
George Weinstock, do Laboratório Jackson de Medicina Genômica de Farmington, em Connecticut, indicou que é surpreendente que o benefício do uso de probióticos apenas se observa “quando os probióticos administraram-se nos primeiros 27 dias de vida”. O pesquisador aponta que se proporcionados suficientemente cedo na dieta das crianças, os probióticos poderiam ajudar a construir um microbioma saudável.
O pesquisador sugere que é possível que no início da vida de um bebê exista uma oportunidade para que micróbios externos entrem no corpo e façam colônias, e “durante este período, possivelmente seja possível intervir ou direcionar a conformação do microbioma mediante probióticos”, ressaltou.
Weistock indicou que é possível que os efeitos auto-imunes “comecem nesta etapa precoce e que seja um período crítico no qual é possível interferir contra a ativação nociva da resposta imunitária”.
Os pesquisadores analisaram um estudo prospectivo desenvolvido em seis centros médicos, três nos Estados Unidos e três na Europa. Participaram do estudo quase 7500 crianças. Tomaram-se amostras de sangue das crianças a cada três meses entre os 3 e 48 meses de idade, para detectar indícios de diabetes tipo 1, e após isto, tomaram-se amostras a cada seis meses.
Os pais das crianças disponibilizaram questionários diários sobre a alimentação, detalhando a dieta dos bebês entre o nascimento e os três meses de idade. As mães proporcionaram informação sobre sua alimentação durante a gravidez.
Os estudantes da área de Nutrição da FUNIBER pesquisam constantemente para identificar tratamentos que permitam prevenir a diabetes em crianças e adultos.

domingo, 20 de setembro de 2015

Qual a melhor whey protein: concentrada, isolada ou hidrolisada?

Nutrição

Qual a melhor whey protein: concentrada, isolada ou hidrolisada?

As propriedades anabólicas da whey protein são muito bem demonstradas e conhecidas. No entanto, são muitas as opções de whey protein disponíveis nas prateleiras, e é fácil encontrar pessoas com dúvidas sobre qual a melhor opção? As propagandas alegam benefícios espetaculares das formas isoladas e hidrolisadas, e o preço “salgado” pode levar as pessoas a crer que as formas mais caras podem realmente ser melhores... Mas será que os custos realmente compensam os benefícios?




É consenso entre cientistas que a whey protein estimula a síntese de proteínas musculares, favorecendo o ganho de massa muscular. Quando o consumo de whey (ou de proteínas de boa qualidade) é acompanhado de musculação, o estímulo para a síntese proteica é ainda maior, sendo essa a melhor forma de ganhar massa magra. Muito embora esse seja um ponto pacífico, ainda se discutem alguns detalhes sobre a suplementação dewhey protein, muitos deles já tratados aqui neste blog. Hoje discutirei as diferenças e semelhanças entre wheyconcentrada, isolada e hidrolisada.





Qual a diferença entre whey protein concentrada, isolada e hidrolisada?


Quando exposto a pH ácido, o leite talha. Isso ocorre porque uma proteína chamada caseína forma uma espécie de coágulo. Esse coágulo não apenas contém caseína, mas também a gordura do leite. Assim, a parte sólida do leite talhado contém caseína e lipídios. Já a outra parte, ou fração líquida, contém as demais substâncias hidrossolúveis do leite, como a lactose, algumas vitaminas e as diversas proteínas do soro do leite. O termo “whey” refere-se justamente a essa fração líquida e, portanto, as famosas whey proteins nada mais são do que as proteínas que se encontram em tal fração. Logo, as whey proteins englobam várias proteínas diferentes, sendo a lactalbuminas e as lactoglobulinas suas principais componentes.




Whey protein refere-se às proteínas encontradas na parte líquida do leite talhado. A parte sólida contém caseína e gorduras. Uma vez que a parte líquida contém outras substâncias além de proteínas, como lactose, o whey protein pode apresentar lactose em sua composição.


Durante a produção da whey protein, as proteínas do soro do leite são concentradas por meio de processos industriais e então secas, de forma que um pó rico em whey protein é obtido. É assim que a “whey proteinconcentrada” é produzida, forma que geralmente contém cerca de 80% de proteínas, sendo o restante composto por lactose e outras substâncias.


Já na produção da “whey protein isolada”, outras etapas de purificação são acrescidas ao processo, de tal forma que a lactose e outras substâncias são removidas e, as proteínas, “isoladas”. Assim, o produto final é mais puro, considerado livre de lactose, e com conteúdo proteico normalmente acima de 90%. Com base nisso, pode-se dizer que as duas grandes vantagens da whey isolada são: maior quantidade de proteína por porção e ausência de lactose. Se você não tiver intolerância à lactose, a única vantagem real será o maior conteúdo de proteínas.


Já a “whey protein hidrolisada” pode ser produzida tanto a partir da whey concentrada como da isolada. Se a hidrolisada for produzida a partir da concentrada, pode também conter lactose. A hidrólise pode ser obtida por diferentes processos, mas o resultado final será sempre a quebra das proteínas em fragmentos menores. Argumenta-se que essa “pré-digestão” acelera a absorção das proteínas, aumentando seu efeito anabólico.





Whey isolada vs. whey concentrada: vantagem para whey isolada?


Embora seja tentador acreditar que o aumento no grau de pureza (de 80% para 90%, na comparação concentrada vs. isolada) resulte em melhores resultados práticos (refiro-me a mais ganho de força e massa muscular), é muito improvável que a whey isolada tenha qualquer real benefício sobre a concentrada. Ainda que não existam estudos que comparem diretamente os efeitos dessas duas formas, há muitos bons indícios de que investir em whey isolada não vale a pena, a não ser que você seja intolerante à lactose.


Existe um limite máximo do estímulo à síntese proteica promovido pela proteína. Sabe-se que, em adultos saudáveis, esse limite gira em torno de ~20 g de proteína. Doses maiores não resultam em mais síntese proteica! Portanto, para aproveitar ao máximo o potencial de uma whey protein com grau um pouco menor de pureza, bastaria aumentar um pouco mais a dose. No caso da whey concentrada vs. isolada, as quantidades necessárias para chegar a 20 g de proteína seriam 22 g de isolada vs. 25 g de concentrada. Em uma rápida consulta a lojas de suplementos online, é fácil perceber que os custos extras não compensam: enquanto 900 g de whey concentrada saem por R$120,00, os mesmo 900 g de whey isolada saem por R$ 192,00. Na prática, o preço 60% maior vai lhe render apenas 5 doses a mais.





Whey hidrolisada: melhor absorção e mais efeitos anabólicos?


Novamente, a teoria (e a propaganda) são tentadoras: a hidrólise, ou pré-digestão, da whey protein faria com que sua absorção fosse mais rápida. Em teoria, essa maior velocidade de absorção resultaria em maiores efeitos sobre a síntese proteica muscular. Todavia, voltamos ao ponto de que é muito difícil melhorar o que já funciona de maneira ótima. A whey protein já é muitíssimo bem absorvida, mesmo sem ter passado por nenhum processo de hidrólise. Da mesma forma, uma dose de 20 g de whey protein já é capaz de elevar ao máximo a síntese proteica, mesmo sem nenhuma hidrólise. Nesse cenário, como poderia a hidrólise aumentar um efeito que já atingiu o máximo? Parece-me muito pouco provável que valha a pena investir R$322,00 em 900 g dewhey hidrolisada (mesma marca, mesmo site de suplementos, feita a partir de isolada), ou pagar quase 3 vezes mais por um produto que muito provavelmente não será superior à boa e velha whey concentrada. 





Mas por que digo “muito provavelmente” em vez de “certamente”? 


Reservo-me ao direito à dúvida (ainda que muito pequena) pelo simples fato de que não encontrei, a despeito de meus esforços em achá-los, nenhum estudo que comparasse diretamente os efeitos dessas 3 formas de whey. De qualquer forma, a mim faz sentido que tais estudos não tenham sido feitos: o referencial teórico e as hipóteses são fracos, e esse tipo de comparação não constitui, ao meu ver, uma pergunta científica relevante.





Para concluir


Se você não é intolerante à lactose, é muito provável que a pureza ligeiramente maior da forma isolada não compense seus custos. É igualmente improvável que a forma hidrolisada tenha qualquer benefício em termos de ganho de força e massa muscular em relação às formas não hidrolisadas. Portanto, a forma concentrada continua sendo a opção de melhor custo-benefício para a grande maioria das pessoas. Claro, desde que exista real necessidade de consumo de suplementos proteicos...


Um abraço e até a próxima!





Guilherme Artioli - Blog Ciência inForma




Para saber mais:


Devries MC and Phillips SM. Supplemental Protein in Support of Muscle Mass and Health:  advantage Whey. Journal of Food Science Vol. 80, S1, 2015.


Churchward TA, Burd NA, Phillips SM. Nutritional regulation of muscle protein synthesis with resistance exercise: strategies to enhance anabolism. Nutrition & Metabolism 2012, 9:40