Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador miméticos do exercício. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador miméticos do exercício. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Estado Nutricional de Escolares de um Bairro da Periferia da Cidade de Fortaleza – Ceará – Ainda Há o que Investigar?


Nutritional State of Scholars from a Poor Neighborhood of Fortaleza – Ceará – Is There Anything to Investigate?

palavras-chave: estado nutricional, obesidade, crianças, adolescentes.

key-words: nutritional state, obesity, children, teenagers.

resumo:
Nas últimas décadas, observa-se uma mudança no perfil nutricional de crianças e adolescentes. Embora a desnutrição ainda integre a realidade de países como o Brasil, o excesso de peso vem crescendo. Apesar de, em muitas cidades, se conhecer a realidade nutricional destes dois grupos etários, ainda é válido se persistir em diagnosticar grupos populacionais, principalmente de periferias, que podem exibir situações diferenciadas. O objetivo deste trabalho foi avaliar o estado nutricional de escolares de instituições públicas e particulares de um bairro periférico de Fortaleza. Considerando o índice de massa corporal, detectou-se alta prevalência de baixo peso e de excesso de peso em ambos os tipos de escolas e tanto em crianças, como em adolescentes. As crianças estão mais vulneráveis a ambas as alterações nutricionais, independente do tipo de escola. Os achados revelam a necessidade de busca das causas associadas à situação encontrada e demandam intervenção nutricional preventiva e corretiva.

abstract:
Over the last few decades there has been a change on the nutritional profile of children and teenagers. Although malnutrition is still a reality in countries such as Brazil, weight excess has been rising up. Despite, in many cities, knowing the nutritional reality of both of these age groups, it is still valid to persist on diagnosing population groups that can exhibit a different situation, especially on the suburbs. The aim of the present study was to evaluate the nutritional state of scholars from both public and private institutions of a suburb neighborhood in Fortaleza. Considering the high body mass index, it was detected a high prevalence of low weight and an excess of weight on both types of schools and also as in children and as in teenagers. The children are more vulnerable to both of these nutritional changes no matter the type of the school. The findings reveal a necessity for searching the causes associated to the situation that was found and also demand a preventive and corrective nutritional intervention.




Autores

Juliana Magalhães da Cunha Rêgo

Estudante de Graduação em Nutrição da UECE e bolsista CNPq (2006-2007).


Prof. Dra Maria da Penha Baião Passamai

Nutricionista, Mestre em Saúde Pública, Professora adjunta do Curso de graduação em Biologia da UECE.


Prof. Dra Maria Lúcia Barreto Sá

Nutricionista, Mestre em Educação, Professora adjunta do Curso de graduação em Nutrição da UECE.


Prof. Dra Maria Rosimar Teixeira Matos

Nutricionista, Mestre em Bioquímica, Professora adjunta do Curso de graduação em Nutrição da UECE.


Profa. Dra. Helena Alves de Carvalho Sampaio

Doutora em Farmacologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e Professora do Doutorado em Saúde Coletiva da Universidade Estadual do Ceará/Universidade Federal do Ceará(UECE/UFC).


Profa. Dra. Maria Olganê Dantas Sabry

Professora Adjunta da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e Doutoranda em Saúde Coletiva da Universidade Estadual do Ceará/Universidade Federal do Ceará (UECE/UFC).



Tatiana Uchôa Passos

Estudante de Graduação em Nutrição da UECE e bolsista CNPq (2005-2007).












FONTE: http://adf.ly/1ZfiVV





OUTROS TEMAS:

gravidez (1)
homem (1) 
infarto (1)
lactato (1)

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Sobre o milagre das pílulas do exercício

De tempos em tempos aparece uma nova promessa de medicamento que substituiria a prática regular de exercícios físicos. Mas você acha que isso é (ou será) possível?


É com certa frequência que surgem notícias bombásticas a respeito da descoberta de uma nova droga capaz de "imitar" a ação do exercício físico sobre o organismo. As chamadas "pílulas do exercício" (ou "miméticos do exercício") vendem muitos jornais e revistas, entusiasmam profissionais da saúde e, por motivos óbvios, causam alívio aos sujeitos sedentários, como se a solução para todos os problemas advindos do estilo de vida inativo pudesse ser comprada na prateleira de uma farmácia.

Sob o ponto de vista da fisiologia, no entanto, há diversas falhas conceituais que arrefecem nossa esperança nas "pílulas do exercício". Em primeiro lugar, os experimentos que apontam ações similares entre substâncias farmacológicas e exercício físico são realizados com cultura de células ou roedores (para um exemplo, ver este artigo). Evidentemente, há um salto muito grande de lógica para se concluir que humanos respondem a determinada intervenção da mesma forma que células isoladas ou animais de diferentes espécies. Em segundo lugar, nós, fisiologistas, esperamos que uma droga taxada como mimética do exercício exerça todas as ações deste. O problema é que nenhuma droga é (e provavelmente jamais será) capaz de promover tantos efeitos abrangentes como o exercício, beneficiando, praticamente, todos os sistemas do organismo. Algumas drogas, quando muito, exercem efeitos específicos que se assemelham à ação do exercício, como melhora na sensibilidade à insulina (a exemplo da metformina) ou no perfil lipídico (a exemplo das estatinas), de modo que não podem ser consideradas, no rigor da palavra, "miméticos" do exercício". Outro ponto que merece destaque diz respeito à segurança das "pílulas do exercício". Para serem consideradas verdadeiros miméticos do exercício, novas drogas precisam ser submetidas a testes clínicos rigorosos que apontem efeitos adversos similares àqueles atribuídos ao próprio exercício físico, os quais são bastante infrequentes (num post futuro, trataremos deste tema). Infelizmente, estudos pré-clínicos têm demonstrado que os "miméticos do exercício" podem apresentar riscos graves à saúde das cobaias testadas, o que indica que a implementação clínica dessas drogas está longe de ocorrer. Por fim, não nos esqueçamos dos custos vultosos associados ao desenvolvimento de medicamentos, que podem alcançar a cifra de USD 1,2 bilhão por nova droga que chega ao mercado. Certamente, tais custos são repassados ao consumidor, o que nos faz duvidar que alguma intervenção farmacológica seja, de fato, capaz de também "imitar" os baixos custos do exercício físico.

Preocupa-me, especialmente, a ilusão propagada pelas "pílulas do exercício" de que a prática de atividade física pode ser meramente substituída por uma ou mais drogas, o que encoraja um estilo de vida mais inativo e, dessa forma, presta um desserviço à saúde pública. Os farmacologistas mais otimistas podem até argumentar que, talvez, um dia, os bisnetos de nossos bisnetos possam desfrutar de uma era na qual fármacos sejam capazes de produzir, por completo, os efeitos do exercício (alguém acredita mesmo que a sensação de prazer e bem-estar proporcionada pelo exercício poderá ser substituída por uma droga?); entretanto, até que esse dia enfim chegue, permanece sendo a prática de atividade física regular a mais efetiva estratégia capaz de prevenir as doenças crônicas que assolam de maneira crescente a população mundial.

O conceito imbuído nas "pílulas do exercício" é realmente tentador; soa como o "caminho-mais-fácil-a-seguir", o "soma" de Audous Huxley (droga capaz de tratar todos os males da humanidade, no clássico "Admirável Mundo Novo"), o verdadeiro milagre criado como uma luva ao homem moderno que não possui mais tempo para o supérfluo, como a atividade física. Infelizmente, para a ciência, milagres não existem...

Prof. Bruno Gualano

Para saber mais do assunto, leia:
Gualano B e Tinucci T. Sedentarismo, exercício físico e doenças crônicas (2011) Revista Brasileira de Educação Física e Esporte. 25: 37-43 (Edição Especial).
Booth FW e Laye MJ. Lack of adequate appreciation of physical exercise’s complexities can pre-empt appropriate design and interpretation in scientific discovery (2009) J Physiol 23: 5527–5540.